Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Parece impressionante que o cinema brasileiro tenha a tendência de se redescobrir por meio do erro e não do acerto. Já aviso também que de forma alguma isso é algo pejorativo ou negativo, afinal, soa impossível que em um país cujo o setor cultural é constantemente esgoelado e descontinuado algo não surja por coincidência ou… Continue lendo Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

O título "Olhares Brasil" sempre cativou-me porque o conceito que o atravessa automaticamente implica em algo que tem por fundamento a multiplicidade: tanto "olhares" quanto "Brasil" são gestos e atributos que não se constituem unicamente de um todo, isto é, não há somente um ou outro Brasil, da mesma forma que não se permite, por… Continue lendo Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

Quando a palavra não sai – Olhar de Cinema #02

Entre Mirador (Bruno Costa, 2020) e Rio Doce (Fellipe Fernandes, 2021) sobram semelhanças. A mais clara delas se dá na relação com as figuras paternas, norte final de dois homens desempregados e desajustados, Maycon (Mirador) e Thiago (Rio Doce). Na vida de ambos, a solidão é uma constância, o azar é uma certeza e o… Continue lendo Quando a palavra não sai – Olhar de Cinema #02

Não é real, é filme – Olhar de Cinema #01

Gosto de pensar que os filmes de abertura dos festivais de cinema, antes de qualquer coisa, são uma espécie de aviso sobre o tempo presente, como uma indicação ou inclinação acerca do que se pensa sobre o agora. Não necessariamente são os filmes “urgentes”, mas costumam dizem algo a respeito do momento político ou estético… Continue lendo Não é real, é filme – Olhar de Cinema #01

Alquimia, deslocamento, cinema | Ecrã #2

Gostaria de ter dado ao Ecrã o tempo que ele merece, mas o tempo é uma brincadeira de mau gosto. Se eu pudesse recomendar alguma coisa para que se assista nas últimas horas que restam deste exímio festival, diria para dar uma chance a Condor (Kevin Jerome Everson, 2019) e Senhor Jean-Claude (Guillaume Vallée, 2021).… Continue lendo Alquimia, deslocamento, cinema | Ecrã #2

Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Foi inevitável assistir a Desaprender a Dormir (Gustavo Vinagre, 2021) e não lembrar do cinema de Carlos Reichenbach. Eu imagino que em uma relação entre os mestres do cinema brasileiro, esse talvez não seja aquele que conversa mais diretamente com a obra de Gustavo Vinagre, que é em suma bastante voltada ao documental, ao estudo… Continue lendo Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

I Há muito que já se reconhece o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul como um dos mais influentes realizadores de seu tempo. Não por menos, afinal trata-se do realizador responsável por filmes como Objeto Misterioso Ao Meio Dia (2000), Eternamente Sua (2002), Mal dos Trópicos (2004) e outros tantos mais. O apego da crítica mundial ao… Continue lendo Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

Um rastro sobre a coreografia dos corpos

O Alvo (John Woo, 1993) não é um grande filme. Não ao pé da letra. Tudo que se passa nele tem um escopo menor, isto é, uma dimensão mais minimizada. Tudo é grande, claro, como se deve ser em um filme de ação, mas nem tão grande assim. A começar pela trama, que é quase… Continue lendo Um rastro sobre a coreografia dos corpos

Servant e a miragem da imagem

Existe um conjunto de planos e enquadramentos que se sobressaem de todos os outros ao decorrer das quase 10h de Servant. Sempre que há qualquer interação entre personagens que não ocupam o mesmo espaço, visto que a minissérie se passa majoritariamente dentro de uma casa, alguém conecta um aparelho audiovisual a uma televisão ou mesmo… Continue lendo Servant e a miragem da imagem