Uma mercadoria maldita

Recentemente, vi o último filme de Gastón Duprat (co-dirigido com Mariano Cohn). Chama-se Competição Oficial (2021), estrelado por Antonio Banderas e Penélope Cruz e exibido com pompas no último Festival de Veneza. Acho curioso como cada vez mais esse tipo de movimento é recorrente, como um cineasta latino-americano com uma linguagem minimamente acessível à grande … Continuar lendo Uma mercadoria maldita

Contornar o incontornável – 80 filmes dos Anos 80

As listas propostas para a votação da Cinefilia Brasileira, organizadas pelo Pedro Lovallo, conjugam sempre um desafio considerável. Antes de mais nada, considero refletir toda minha trajetória cinéfila até encontrar um meio-termo. Fazer uma lista é um exercício de vaidade, de construção de pensamento e de narrativa cuja ordem dos filmes desencadeia. Já pensei muito … Continuar lendo Contornar o incontornável – 80 filmes dos Anos 80

Dez menos um: apontamentos sobre Licorice Pizza

1. O grande trunfo de Paul Thomas Anderson é como escala seus atores. E principalmente os atores que escala. Sean Penn, Tom Waits, Maya Rudolph, Bradley Cooper, Benny Safdie, John Michael Higgins, Harriet Sansom, Joseph Cross e, finalmente, Alana Haim e Cooper Hoffman. Todos eles com tiques e adereços particulares, caracterizações muito específicas que funcionam, … Continuar lendo Dez menos um: apontamentos sobre Licorice Pizza

Até nunca mais – 50 filmes de 2021

Antes de começar, algumas certezas do ano de 2021: certamente, foi o mais difícil de uns tempos para cá. No que diz respeito ao assistir cinema e no que diz respeito à vida. Durante os últimos 12 meses, minha média de filmes decaiu imensamente, fruto (talvez) de um cansaço em relação ao resguardo, de um … Continuar lendo Até nunca mais – 50 filmes de 2021

Um filme como os outros

Jamais concordaria que os filmes de Paul Verhoeven merecem qualquer defesa tanto por acreditar que não necessitam de uma como também porque, penso, eles próprios já cumprem tal papel diante da faísca que produzem em um sistema de obras cada vez mais achatado e comportado. Dizer que falar bem de Benedetta é praticar uma defesa … Continuar lendo Um filme como os outros

Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Parece impressionante que o cinema brasileiro tenha a tendência de se redescobrir por meio do erro e não do acerto. Já aviso também que de forma alguma isso é algo pejorativo ou negativo, afinal, soa impossível que em um país cujo o setor cultural é constantemente esgoelado e descontinuado algo não surja por coincidência ou … Continuar lendo Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

O título "Olhares Brasil" sempre cativou-me porque o conceito que o atravessa automaticamente implica em algo que tem por fundamento a multiplicidade: tanto "olhares" quanto "Brasil" são gestos e atributos que não se constituem unicamente de um todo, isto é, não há somente um ou outro Brasil, da mesma forma que não se permite, por … Continuar lendo Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

Quando a palavra não sai – Olhar de Cinema #02

Entre Mirador (Bruno Costa, 2020) e Rio Doce (Fellipe Fernandes, 2021) sobram semelhanças. A mais clara delas se dá na relação com as figuras paternas, norte final de dois homens desempregados e desajustados, Maycon (Mirador) e Thiago (Rio Doce). Na vida de ambos, a solidão é uma constância, o azar é uma certeza e o … Continuar lendo Quando a palavra não sai – Olhar de Cinema #02

Não é real, é filme – Olhar de Cinema #01

Gosto de pensar que os filmes de abertura dos festivais de cinema, antes de qualquer coisa, são uma espécie de aviso sobre o tempo presente, como uma indicação ou inclinação acerca do que se pensa sobre o agora. Não necessariamente são os filmes “urgentes”, mas costumam dizem algo a respeito do momento político ou estético … Continuar lendo Não é real, é filme – Olhar de Cinema #01