Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Diário perdido Escrevo este texto na certeza de que, assim como o cinema, eu sou um fingidor. Não posso mais me iludir. Quando dei início ao projeto de cobertura do Olhar de Cinema, quase um mês antes do início do festival, pensei que seria possível dar conta de ver todos os filmes brasileiros em exibição.… Continue lendo Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

Mesmo depois de ter atravessado Canto dos Ossos (Jorge Polo e Petrus de Bairros, 2020) e Sertânia (Geraldo Sarno, 2020) - dois dos filmes que mais me moveram para lugares distintos entre as rachaduras a hachuras do cinema brasileiro -, a primeira imagem do 9° Olhar de Cinema que surgirá em minha cabeça, passados os… Continue lendo Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

Eu sou a multidão | Olhar de Cinema #3

O procedimento primeiro que abre Entre Nós Talvez Estejam Multidões (Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, 2020) é o cruzamento da voz de uma mulher com a imagem de um coletivo de moradores da ocupação urbana Eliana Silva. Enquanto ouvimos falar sobre um processo de assimilação daquele território - a moradora expunha a necessidade… Continue lendo Eu sou a multidão | Olhar de Cinema #3

Da ruína à salvação: o formalismo | Olhar de Cinema #2

São necessários apenas dois ou três frames dos filmes que compõem o Programa 1 da Mostra Competitiva do Olhar de Cinema para que possamos entender que tratam-se de obras circundadas por um gesto programatorial bastante específico: a possibilidade de sonhar através do formalismo. Faço questão de deixar claro também que, ao tratar de formalismo (ressalvas… Continue lendo Da ruína à salvação: o formalismo | Olhar de Cinema #2

O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

Antes mesmo de assistir ao filme de abertura da 9° edição do Olhar de Cinema fui atacado por uma curiosidade latente: a presença de dois dos profissionais mais qualificados do cinema contemporâneo na equipe técnica - o fotógrafo Leonardo Feliciano (de Branco Sai Preto Fica, Arábia, Baixo Centro) e o técnico de som Vasco Pimentel… Continue lendo O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

A maldição do establishment

Existe um tipo de vírus ou maldição que assola o cinema americano desde (quase) sempre. Trata-se, mais especificamente, de um modelo de encenação decididamente asséptica e articulada com os “grandes temas” do momento, algo como colocar na mesa as pautas do dia para, pouco a pouco, desdobrá-las da maneira mais palatável possível ao gosto do… Continue lendo A maldição do establishment

Depois da miragem

Existe algo fincado bruscamente no coração de Uncut Gems que pretende carregar-nos até o final da toca do coelho. Um elo ou pacto com o demônio que irá levar-nos até onde nada é permitido, ao fundo daquilo que as paredes duras da sensorialidade insistem em negar. Este filme restaura alguma capacidade que detinha William Friedkin… Continue lendo Depois da miragem

Os anos de formação – 100 filmes dos anos 2000

Esta lista foi feita em virtude da votação com 133 críticos e cinéfilos do Brasil, reunidos por Pedro Lovallo, para que fossem eleitos um Top Filmes dos anos 2000. Na lista que enviei para a votação, estão os primeiros 20, na mesma ordem. Sugiro veementemente que confiram as listas individuais bem como os rankings paralelos.… Continue lendo Os anos de formação – 100 filmes dos anos 2000

Um cinema desobediente: voz e corpo | Curadoria Impossível #2

A figura de Maria Bethânia é o fio condutor protagonista de dois curta-metragens que representam antíteses no fazer cinematográfico: Bethânia Bem de Perto (Julio Bressane e Lauro Escorel, 1966) e Ruína (Gabraz Sanna, 2016). Na verdade, falar em figura de Maria Bethânia seria uma simplificação, pois o que está em jogo nos dois filmes não é o que significa ou presentifica Bethânia em tela senão muito mais o que significa e presentifica o seu corpo (Bethânia Bem de Perto) e a sua voz (Ruína).