Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

I Há muito que já se reconhece o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul como um dos mais influentes realizadores de seu tempo. Não por menos, afinal trata-se do realizador responsável por filmes como Objeto Misterioso Ao Meio Dia (2000), Eternamente Sua (2002), Mal dos Trópicos (2004) e outros tantos mais. O apego da crítica mundial ao… Continue lendo Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

Um rastro sobre a coreografia dos corpos

O Alvo (John Woo, 1993) não é um grande filme. Não ao pé da letra. Tudo que se passa nele tem um escopo menor, isto é, uma dimensão mais minimizada. Tudo é grande, claro, como se deve ser em um filme de ação, mas nem tão grande assim. A começar pela trama, que é quase… Continue lendo Um rastro sobre a coreografia dos corpos

Servant e a miragem da imagem

Existe um conjunto de planos e enquadramentos que se sobressaem de todos os outros ao decorrer das quase 10h de Servant. Sempre que há qualquer interação entre personagens que não ocupam o mesmo espaço, visto que a minissérie se passa majoritariamente dentro de uma casa, alguém conecta um aparelho audiovisual a uma televisão ou mesmo… Continue lendo Servant e a miragem da imagem

Notas sobre o impasse

Entre Terence Dixon e James Baldwin existe um impasse verbal incontornável. Enquanto o cineasta busca um norte para seu filme, o personagem rasga caminho pelo pensamento. Há também um descompasso latente, resultado do descontrole. Se Dixon vai à procura de seu raciocínio, a efervescência oral e gesticular do escritor o impede de alcançá-lo. Caso Dixon… Continue lendo Notas sobre o impasse

Por que não um cinema de comédia?

Retomei de minhas anotações a lista dos Melhores Filmes dos Anos 2000 que preparei na metade do ano passado para uma votação feita com críticos, curadores e cinéfilos ao redor do Brasil. Para minha surpresa, encontrei de cinco a seis filmes de comédia entre os 20 primeiros colocados. Filmes que eu não tenho, hoje, plena… Continue lendo Por que não um cinema de comédia?

O tempo de ruminar

Antes de tudo, uma confissão: sofro de um mal parasitário quase incontornável: eu ando sempre atrasado. Em tudo. Compromisso, aula, debate, sessão de cinema. O que quer que seja. Além disso, tenho também uma certeza imperiosa de que, tentasse eu contornar meus atrasos, prevendo-os de antemão, certamente atrasaria-me para a previsão - e chegaria, enfim,… Continue lendo O tempo de ruminar

O signo da desgraça

Algum dia sonhei em ser detentor de uma sensibilidade crítica que chegasse perto de um João Bénard da Costa. Sonhei também que, quem sabe, pudesse tatear palavras diretamente de minha memória inconfundível de poeta, assim como Drummond. Ou mesmo que minha escrita fosse um célebre fiapo de história, a remontar a vida de um cineasta… Continue lendo O signo da desgraça

Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles

Texto orginalmente publicado na Edição 3 (out/2020) da Revista MNemocine, disponível para acesso aqui. Rubens Fabricio Anzolin*Dedico este ensaio à Valéria,pela inestimável ajuda na feitura deste texto;E ao Roberto, por apresentar-me a esses filmese pelo compartilhamento de suas ideias em textos e catálogosacerca desta obra tão especial. I Não-reconciliado (ou A violência de um autor… Continue lendo Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles