Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Foi inevitável assistir a Desaprender a Dormir (Gustavo Vinagre, 2021) e não lembrar do cinema de Carlos Reichenbach. Eu imagino que em uma relação entre os mestres do cinema brasileiro, esse talvez não seja aquele que conversa mais diretamente com a obra de Gustavo Vinagre, que é em suma bastante voltada ao documental, ao estudo… Continue lendo Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

I Há muito que já se reconhece o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul como um dos mais influentes realizadores de seu tempo. Não por menos, afinal trata-se do realizador responsável por filmes como Objeto Misterioso Ao Meio Dia (2000), Eternamente Sua (2002), Mal dos Trópicos (2004) e outros tantos mais. O apego da crítica mundial ao… Continue lendo Tatuagens na superfície da luz: os curtas de Apichatpong Weerasethakul

Um rastro sobre a coreografia dos corpos

O Alvo (John Woo, 1993) não é um grande filme. Não ao pé da letra. Tudo que se passa nele tem um escopo menor, isto é, uma dimensão mais minimizada. Tudo é grande, claro, como se deve ser em um filme de ação, mas nem tão grande assim. A começar pela trama, que é quase… Continue lendo Um rastro sobre a coreografia dos corpos

Servant e a miragem da imagem

Existe um conjunto de planos e enquadramentos que se sobressaem de todos os outros ao decorrer das quase 10h de Servant. Sempre que há qualquer interação entre personagens que não ocupam o mesmo espaço, visto que a minissérie se passa majoritariamente dentro de uma casa, alguém conecta um aparelho audiovisual a uma televisão ou mesmo… Continue lendo Servant e a miragem da imagem

Notas sobre o impasse

Entre Terence Dixon e James Baldwin existe um impasse verbal incontornável. Enquanto o cineasta busca um norte para seu filme, o personagem rasga caminho pelo pensamento. Há também um descompasso latente, resultado do descontrole. Se Dixon vai à procura de seu raciocínio, a efervescência oral e gesticular do escritor o impede de alcançá-lo. Caso Dixon… Continue lendo Notas sobre o impasse

Um caminho nos destroços – 100 filmes dos Anos 90

Senão amanhã, nos próximos dias estará no ar mais uma votação da Cinefilia Brasileira organizada por Pedro Lovallo. A data limite para envio de uma lista com os seus 20 filmes favoritos (com pontuações de 20 até 1, respectivamente, devido à colocação no ranqueamento) ajuda a dar a tônica dos preferidos entre críticos, cinéfilos, cineastas… Continue lendo Um caminho nos destroços – 100 filmes dos Anos 90

Ideias para o futuro, indicações do Levante

Desde que encerrei a cobertura da Mostra de Tiradentes que não escrevo nada por aqui. Muitas vezes, o processo crítico esgota nossas forças e torna muito difícil seguir em frente, principalmente após um marasmo de filmes e textos durante um período de tempo muito curto. Às vezes faltam palavras, ou falta mesmo o que dizer.… Continue lendo Ideias para o futuro, indicações do Levante

Imagens fincadas na terra | Tiradentes #4

Aí vão algumas verdades: já se passou uma semana do início da Mostra de Tiradentes e, de todos os filmes assistidos, apenas dois me deixaram embasbacado: A Destruição do Planeta Live (Marcus Curvelo, 2021) e videomemoria (Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, 2020). Há também Mundo Mineral (Guerreiro do Divino Amor, 2020), que não… Continue lendo Imagens fincadas na terra | Tiradentes #4

O mundo dentro do mundo | Tiradentes #3

O que há de mais belo em Oráculo (Melissa Dullius e Gustavo Jahn, 2021) é uma ideia fundamentalmente borgeana de que o centro do mundo é… o próprio mundo. De que tanto a vida quanto a narrativa são senão um espelho que reflete outros espelhos, em uma relação ad infinitum. Vou tentar explicar um pouco… Continue lendo O mundo dentro do mundo | Tiradentes #3

Ostinato, um pós escrito (ou como os dedos balançam pelo ar) | Tiradentes #2

Reescrevo estas linhas pela terceira ou quarta vez até encontrar uma versão definitiva. Procuro no tato com a palavra achar o tom mais apropriado entre o que pretendo dizer e o que consigo dizer. Divido este espaço de texto com todas as vozes que habitam minha casa e interrompem o ensejo de silêncio que preconizo… Continue lendo Ostinato, um pós escrito (ou como os dedos balançam pelo ar) | Tiradentes #2