Relicário de imperfeições – 60 filmes de 2020

Começo explicando o título, que já — quase que automaticamente — explica a lista. Um relicário de imperfeições nada mais quer dizer que um aglomerado de filmes (lançados entre 2018 e 2020) que pude ver neste ano. Como geralmente fala-se só dos longas, dessa vez resolvi também elencar alguns curtas. 20 deles, para ser mais… Continue lendo Relicário de imperfeições – 60 filmes de 2020

O signo da desgraça

Algum dia sonhei em ser detentor de uma sensibilidade crítica que chegasse perto de um João Bénard da Costa. Sonhei também que, quem sabe, pudesse tatear palavras diretamente de minha memória inconfundível de poeta, assim como Drummond. Ou mesmo que minha escrita fosse um célebre fiapo de história, a remontar a vida de um cineasta… Continue lendo O signo da desgraça

Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles

Texto orginalmente publicado na Edição 3 (out/2020) da Revista MNemocine, disponível para acesso aqui. Rubens Fabricio Anzolin*Dedico este ensaio à Valéria,pela inestimável ajuda na feitura deste texto;E ao Roberto, por apresentar-me a esses filmese pelo compartilhamento de suas ideias em textos e catálogosacerca desta obra tão especial. I Não-reconciliado (ou A violência de um autor… Continue lendo Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles

Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Diário perdido Escrevo este texto na certeza de que, assim como o cinema, eu sou um fingidor. Não posso mais me iludir. Quando dei início ao projeto de cobertura do Olhar de Cinema, quase um mês antes do início do festival, pensei que seria possível dar conta de ver todos os filmes brasileiros em exibição.… Continue lendo Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

Mesmo depois de ter atravessado Canto dos Ossos (Jorge Polo e Petrus de Bairros, 2020) e Sertânia (Geraldo Sarno, 2020) - dois dos filmes que mais me moveram para lugares distintos entre as rachaduras a hachuras do cinema brasileiro -, a primeira imagem do 9° Olhar de Cinema que surgirá em minha cabeça, passados os… Continue lendo Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

Eu sou a multidão | Olhar de Cinema #3

O procedimento primeiro que abre Entre Nós Talvez Estejam Multidões (Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, 2020) é o cruzamento da voz de uma mulher com a imagem de um coletivo de moradores da ocupação urbana Eliana Silva. Enquanto ouvimos falar sobre um processo de assimilação daquele território - a moradora expunha a necessidade… Continue lendo Eu sou a multidão | Olhar de Cinema #3

Da ruína à salvação: o formalismo | Olhar de Cinema #2

São necessários apenas dois ou três frames dos filmes que compõem o Programa 1 da Mostra Competitiva do Olhar de Cinema para que possamos entender que tratam-se de obras circundadas por um gesto programatorial bastante específico: a possibilidade de sonhar através do formalismo. Faço questão de deixar claro também que, ao tratar de formalismo (ressalvas… Continue lendo Da ruína à salvação: o formalismo | Olhar de Cinema #2

O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

Antes mesmo de assistir ao filme de abertura da 9° edição do Olhar de Cinema fui atacado por uma curiosidade latente: a presença de dois dos profissionais mais qualificados do cinema contemporâneo na equipe técnica - o fotógrafo Leonardo Feliciano (de Branco Sai Preto Fica, Arábia, Baixo Centro) e o técnico de som Vasco Pimentel… Continue lendo O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

A maldição do establishment

Existe um tipo de vírus ou maldição que assola o cinema americano desde (quase) sempre. Trata-se, mais especificamente, de um modelo de encenação decididamente asséptica e articulada com os “grandes temas” do momento, algo como colocar na mesa as pautas do dia para, pouco a pouco, desdobrá-las da maneira mais palatável possível ao gosto do… Continue lendo A maldição do establishment

Depois da miragem

Existe algo fincado bruscamente no coração de Uncut Gems que pretende carregar-nos até o final da toca do coelho. Um elo ou pacto com o demônio que irá levar-nos até onde nada é permitido, ao fundo daquilo que as paredes duras da sensorialidade insistem em negar. Este filme restaura alguma capacidade que detinha William Friedkin… Continue lendo Depois da miragem