Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Parece impressionante que o cinema brasileiro tenha a tendência de se redescobrir por meio do erro e não do acerto. Já aviso também que de forma alguma isso é algo pejorativo ou negativo, afinal, soa impossível que em um país cujo o setor cultural é constantemente esgoelado e descontinuado algo não surja por coincidência ou… Continue lendo Sem querer, querendo – Olhar de Cinema #04

Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

O título "Olhares Brasil" sempre cativou-me porque o conceito que o atravessa automaticamente implica em algo que tem por fundamento a multiplicidade: tanto "olhares" quanto "Brasil" são gestos e atributos que não se constituem unicamente de um todo, isto é, não há somente um ou outro Brasil, da mesma forma que não se permite, por… Continue lendo Alguns cinemas brasileiros – Olhar de Cinema #03

Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Foi inevitável assistir a Desaprender a Dormir (Gustavo Vinagre, 2021) e não lembrar do cinema de Carlos Reichenbach. Eu imagino que em uma relação entre os mestres do cinema brasileiro, esse talvez não seja aquele que conversa mais diretamente com a obra de Gustavo Vinagre, que é em suma bastante voltada ao documental, ao estudo… Continue lendo Na ruína das horas, sonhos de cinema | Ecrã #1

Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles

Texto orginalmente publicado na Edição 3 (out/2020) da Revista MNemocine, disponível para acesso aqui. Rubens Fabricio Anzolin*Dedico este ensaio à Valéria,pela inestimável ajuda na feitura deste texto;E ao Roberto, por apresentar-me a esses filmese pelo compartilhamento de suas ideias em textos e catálogosacerca desta obra tão especial. I Não-reconciliado (ou A violência de um autor… Continue lendo Atrações que vem do lixo (ou Eu não devo nada à ninguém): os curta-metragens de Lincoln Péricles

Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Diário perdido Escrevo este texto na certeza de que, assim como o cinema, eu sou um fingidor. Não posso mais me iludir. Quando dei início ao projeto de cobertura do Olhar de Cinema, quase um mês antes do início do festival, pensei que seria possível dar conta de ver todos os filmes brasileiros em exibição.… Continue lendo Diário perdido, anotações esparsas | Olhar de Cinema #5

Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

Mesmo depois de ter atravessado Canto dos Ossos (Jorge Polo e Petrus de Bairros, 2020) e Sertânia (Geraldo Sarno, 2020) - dois dos filmes que mais me moveram para lugares distintos entre as rachaduras a hachuras do cinema brasileiro -, a primeira imagem do 9° Olhar de Cinema que surgirá em minha cabeça, passados os… Continue lendo Destruir a cidade, construir fortalezas | Olhar de Cinema #4

O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

Antes mesmo de assistir ao filme de abertura da 9° edição do Olhar de Cinema fui atacado por uma curiosidade latente: a presença de dois dos profissionais mais qualificados do cinema contemporâneo na equipe técnica - o fotógrafo Leonardo Feliciano (de Branco Sai Preto Fica, Arábia, Baixo Centro) e o técnico de som Vasco Pimentel… Continue lendo O abismo das alianças, o mundo em catacumbas | Olhar de Cinema #1

Caos é ordem por decifrar | Curadoria Impossível #1

O cinema brasileiro carece de uma missão importantíssima: redescobrir os filmes de Debora Waldman. Cineasta de apenas dois curta-metragens, Waldman representa uma faísca cintilante no cenário nacional dos anos 90, marcado pelo desmonte e a consequente retomada das produções. De lá pra cá, muita coisa mudou e muitos outros cinemas estabeleceram-se no Brasil - muitos deles (arriscaria dizer, os mais interessantes e plurais) provenientes das regiões menos centralizadas do país.

Morrer com os zóio aberto: Sérgio Ricardo (1932-2020)

Texto inspirado em passagens do Discurso de Sebastião, com composição de Sérgio Ricardo, em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964). I - O homem não pode ser escravo do homem Não foi. Hoje finou deste plano o geminiano Sérgio Ricardo, de nobreza e contribuição inestimável para o povo brasileiro. Sua música, seu… Continue lendo Morrer com os zóio aberto: Sérgio Ricardo (1932-2020)

Itinerário de um novo mundo – 40 filmes brasileiros da década (2010-2019).

Publiquei aqui, anteriormente, duas listas com aquilo que considerava um conjunto importante de curta-metragens da década (2010-2019) no cinema brasileiro. Sim, é claro que ficaram muitas coisas de fora, como também é claro que muitos dos filmes descartados o foram pois não tive a possibilidade de vê-los. O intuito sempre foi único, criar um inventário… Continue lendo Itinerário de um novo mundo – 40 filmes brasileiros da década (2010-2019).